A Amazônia é um território surpreendente e as pinturas rupestres encontradas no Parque Estadual Monte Alegre (Pema), em Monte Alegre (PA), representam um atrativo turístico e científico convidativo. Um dos mais importantes do norte do país e, sem dúvida, parada obrigatória para todos aqueles que desejam compreender a história de ocupação da região, através dessas estruturas  arqueológicas com pelo menos 6 mil anos, segundo os pesquisadores.

Pinturas rupestres da Serra da Lua (Foto: Fábio Barbosa)

E esse mundo pré-histórico, cercado de histórias e mistérios está localizado no oeste do Pará e uma formação geológica, em especial, chama atenção: a icônica Serra da Lua com preciosidades arqueológicas.  É um impressionante paredão de pedras que para a sorte dos visitantes, no processo de musealização realizado pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-bio), foi instalado na trilha um corrimão que ajuda e muito na subida até as pinturas rupestres.

Para se ter uma ideia da importância histórica da região, uma expedição realizada em 2010 pelo arqueólogo Eduardo Góes Neves, do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, descobriu uma Amazônia de mil anos atrás até hoje desconhecida, onde havia uma população estimada em mais de 5 milhões de pessoas que já usufruíam de uma “sofisticada cultura”, ou seja, a nossa floresta tropical era densamente povoada há muito tempo.

Vaso de Cariátides da Coleção Ubirajara Bentes de Souza, exposto no Centro Cultural João Fona (Foto: Documentário “Ocara-Açu” 2025)

Na edição comemorativa de 10 anos no Brasil da revista National Geographic, a reportagem de capa destaca as civilizações pré-históricas, apresentando:

A Amazônia estava repleta de sociedades indígenas no ano 1000, algumas hierarquizadas, lideradas por chefes supremos, capazes de comandar um exército de guerreiros. Com uma população estimada em mais de 5 milhões de pessoas, a maior floresta tropical do planeta nesta época já era berço de profundo florescimento cultural. Antes mesmo de a Renascença surgir na Itália, cerâmicas com padrões gráficos sofisticados já eram produzidos em Marajó e nas regiões de Manaus e Santarém – esta, talvez, seja a cidade brasileira mais antiga com origens pré-coloniais.

No texto da reportagem, Neves informa que em Santarém (PA) se encontram o que talvez sejam as cerâmicas mais antigas das Américas, nos sítios de Taperinha e da Caverna da Pedra Pintada, em Monte Alegre (PA), com datas que podem chegar a 6.000 anos a.C. Por esta razão, Santarém é considerada pelos arqueólogos a “cidade” brasileira mais antiga com origens pré-coloniais. O arqueólogo acredita que, à medida que as pesquisas avançarem, novas surpresas sobre o passado surgirão. Ele lembra, porém, que os arqueólogos disputam uma corrida contra o tempo: a ocupação desenfreada da Amazônia pode destruir não só o seu futuro, mas também o seu passado.

No documentário “Ocara‑Açu” (2025) parte dessa história da Amazônia é apresentada e debatida por historiadores e arqueólogos, como você pode ver abaixo:

Com informações da National Geographic, CRE Mário Covas – Centro de Referência em Educação e Revista Superinteressante

Sobre o autor

Jornalista, formado pelo Centro Universitário da Cidade do Rio de Janeiro - RJ. Produtor Cultural e Produtor de Conteúdo Digital. Idealizador dos projetos Caminhos da Floresta, Amazônia Fashion Weekend e Piracaia Festival. Autor do blog de turismo e viagens www.diariodofb.com. Diretor dos documentários O que é Sairé? (2021) e Trap: O som da juventude (2021) - produzido, gravado e editado em um smartphone.

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