Esse ano realmente não estava nos planos ir para o Círio de Nazaré. Mas a vontade era grande e a fé também, então, uma decisão tomada de última hora, na expectativa de rever pessoas queridas e na certeza de que algumas experiências simplesmente valeriam a pena, me fizeram embarcar nessa aventura (literalmente!).
Entre as possibilidades de deslocamento, incluindo as viagens de barco, escolhi ir de ônibus, pela estrada, numa parceria com a plataforma Yjara Viagens e a Viação Ouro e Prata.
Saímos de Santarém com destino à capital paraense, seguindo pela PA-370 e depois pela BR-230, a nossa conhecida Transamazônica. A previsão era de aproximadamente 24 horas de viagem. É chão, né? Mas, quando existe um motivo especial esperando no destino, até o caminho ganha outro significado.

Confesso que, para uma viagem tão longa, o conforto do ônibus fez diferença. No geral, a experiência foi bastante tranquila, com paradas estratégicas para alimentação, uso do banheiro e aquele momento necessário para esticar as pernas antes de voltar para a estrada. O tempo passa de um jeito diferente numa viagem assim, tem a paisagem pela janela, as conversas com o (a) parceiro (a) de poltrona, os cochilos, a expectativa de chegar e aquela sensação de que estamos atravessando os rincões do Brasil.
Quem pretende fazer esse percurso precisa ficar atento a um trecho da BR-230 entre os municípios de Uruará e Medicilândia. Por lá, a estrada ainda tem trechos sem pavimentação e a poeira pode ser uma companheira insistente, especialmente em períodos mais secos, como no verão amazônico (entre julho e novembro).
Dica do FB: Proteja sua mala com um saco plástico resistente ou uma capa impermeável. A poeira pode entrar no bagageiro e acabar comprometendo as roupas e os demais pertences. Outra recomendação é levar uma máscara bem ajustada para usar quando houver muita poeira no ambiente. Mesmo dentro do ônibus, partículas podem entrar durante o percurso. Se você tem sensibilidade respiratória (ou rinite, como eu!), vale redobrar os cuidados.
Leia também: Círio de Nazaré: uma experiência de suor e lágrimas
Vou chamar essa experiência de perrengue chique, porque, apesar de ser um detalhe, a viagem foi confortável e transcorreu tranquilamente. É aquele tipo de situação que rende boas histórias depois.
Um detalhe que fez diferença durante a viagem foi o Wi-Fi disponível 24 horas por dia, via Starlink. Em um percurso tão longo, ter conexão à internet facilita a comunicação com a família e os amigos, permite compartilhar os registros da estrada e ainda ajuda a passar o tempo, dá para assistir a séries, vídeos e outros conteúdos no celular ou tablet, de preferência com seu fone de ouvido, respeitando o descanso dos demais passageiros.
E depois de tantas horas de estrada, chegar a Belém tinha um significado especial. E vejam, desembarquei no meio da tarde de sábado, pronto para viver a experiência da Transladação com os amigos. Fomos convidados para assistir do camarote da Fundação Cultural do Pará (FCP), na Casa da Linguagem. Gratidão querido Danilo Bracchi!

O Círio de Nazaré é um daqueles momentos difíceis de explicar a quem nunca participou, em 2023 consegui definir em “suor e lágrimas”. As ruas, as homenagens, as promessas, as famílias reunidas e a multidão acompanhando a passagem de Nossa Senhora de Nazaré fazem parte de uma experiência que vai além do calendário religioso. É também um momento de encontro com a nossa própria história, com as tradições que atravessam gerações, como a bênção que tomamos dos nossos avós.

Para mim, viver o Círio também significou guardar lembranças. Fiz muitas fotografias e vídeos, reencontrei amigos e compartilhei momentos especiais. E são essas coisas que dão sentido à viagem, né?! Criar boas memórias e registrar tudo!
Vale a pena ir de ônibus de Santarém a Belém?
Na minha experiência, sim. Para quem tem disposição para encarar aproximadamente 24 horas de deslocamento, a viagem de ônibus pode ser uma alternativa viável para chegar à capital paraense. E o custo-benefício vale a pena!
É importante, porém, planejar o tempo, conferir os horários, organizar a bagagem e considerar as condições da estrada. Se o trecho sem pavimentação estiver muito seco, a poeira pode incomodar. Se estiver no período chuvoso, conte com atrasos por conta de possíveis atoleiros e imprevistos.
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