Esse ano realmente não estava nos planos ir para o Círio de Nazaré. Mas a vontade era grande e a fé também, então, uma decisão tomada de última hora, na expectativa de rever pessoas queridas e na certeza de que algumas experiências simplesmente valeriam a pena, me fizeram embarcar nessa aventura (literalmente!).

Entre as possibilidades de deslocamento, incluindo as viagens de barco, escolhi ir de ônibus, pela estrada, numa parceria com a plataforma Yjara Viagens e a Viação Ouro e Prata.

Saímos de Santarém com destino à capital paraense, seguindo pela PA-370 e depois pela BR-230, a nossa conhecida Transamazônica. A previsão era de aproximadamente 24 horas de viagem. É chão, né? Mas, quando existe um motivo especial esperando no destino, até o caminho ganha outro significado.

Pausa para selfie na estrada (Foto: Fábio Barbosa)

Confesso que, para uma viagem tão longa, o conforto do ônibus fez diferença. No geral, a experiência foi bastante tranquila, com paradas estratégicas para alimentação, uso do banheiro e aquele momento necessário para esticar as pernas antes de voltar para a estrada. O tempo passa de um jeito diferente numa viagem assim, tem a paisagem pela janela, as conversas com o (a) parceiro (a) de poltrona, os cochilos, a expectativa de chegar e aquela sensação de que estamos atravessando os rincões do Brasil.

Quem pretende fazer esse percurso precisa ficar atento a um trecho da BR-230 entre os municípios de Uruará e Medicilândia. Por lá, a estrada ainda tem trechos sem pavimentação e a poeira pode ser uma companheira insistente, especialmente em períodos mais secos, como no verão amazônico (entre julho e novembro).

Dica do FB: Proteja sua mala com um saco plástico resistente ou uma capa impermeável. A poeira pode entrar no bagageiro e acabar comprometendo as roupas e os demais pertences. Outra recomendação é levar uma máscara bem ajustada para usar quando houver muita poeira no ambiente. Mesmo dentro do ônibus, partículas podem entrar durante o percurso. Se você tem sensibilidade respiratória (ou rinite, como eu!), vale redobrar os cuidados.

Leia também: Círio de Nazaré: uma experiência de suor e lágrimas

Vou chamar essa experiência de perrengue chique, porque, apesar de ser um detalhe, a viagem foi confortável e transcorreu tranquilamente. É aquele tipo de situação que rende boas histórias depois.

Um detalhe que fez diferença durante a viagem foi o Wi-Fi disponível 24 horas por dia, via Starlink. Em um percurso tão longo, ter conexão à internet facilita a comunicação com a família e os amigos, permite compartilhar os registros da estrada e ainda ajuda a passar o tempo, dá para assistir a séries, vídeos e outros conteúdos no celular ou tablet, de preferência com seu fone de ouvido, respeitando o descanso dos demais passageiros.

E depois de tantas horas de estrada, chegar a Belém tinha um significado especial. E vejam, desembarquei no meio da tarde de sábado, pronto para viver a experiência da Transladação com os amigos. Fomos convidados para assistir do camarote da Fundação Cultural do Pará (FCP), na Casa da Linguagem. Gratidão querido Danilo Bracchi!

Berlinda de Nossa Senhora de Nazaré (Foto: Fábio Barbosa)

O Círio de Nazaré é um daqueles momentos difíceis de explicar a quem nunca participou, em 2023 consegui definir em “suor e lágrimas”. As ruas, as homenagens, as promessas, as famílias reunidas e a multidão acompanhando a passagem de Nossa Senhora de Nazaré fazem parte de uma experiência que vai além do calendário religioso. É também um momento de encontro com a nossa própria história, com as tradições que atravessam gerações, como a bênção que tomamos dos nossos avós.

Imagem de nossa Senhora de Nazaré (Foto: Rodrigo Pinheiro / Agência Pará)

Para mim, viver o Círio também significou guardar lembranças. Fiz muitas fotografias e vídeos, reencontrei amigos e compartilhei momentos especiais. E são essas coisas que dão sentido à viagem, né?! Criar boas memórias e registrar tudo!

Vale a pena ir de ônibus de Santarém a Belém?

Na minha experiência, sim. Para quem tem disposição para encarar aproximadamente 24 horas de deslocamento, a viagem de ônibus pode ser uma alternativa viável para chegar à capital paraense. E o custo-benefício vale a pena!

É importante, porém, planejar o tempo, conferir os horários, organizar a bagagem e considerar as condições da estrada. Se o trecho sem pavimentação estiver muito seco, a poeira pode incomodar. Se estiver no período chuvoso, conte com atrasos por conta de possíveis atoleiros e imprevistos.

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Sobre o autor

Amazônida 🌳 Jornalista | MBA em Gestão de Eventos | Cineasta | Produtor de Conteúdo Digital | Produtor de Eventos | Fazedor de Cultura | Presidente do Conselho Municipal de Política Cultural

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