A festa do Sairé, no distrito de Alter do Chão, em Santarém (PA) encanta moradores e visitantes no mês de setembro. Segundo os historiadores essa tradição tem em torno de 300 anos na Amazônia. É mantida viva pelos descendentes dos Borari.
O evento folclórico-religioso tem como origem a chegada dos missionários jesuítas na região do Tapajós e a introdução do cristianismo, por isto o símbolo maior da festa possui três cruzes que fazem referência à Santíssima Trindade. O Sairé em si é um objeto em forma de semicírculo produzido de cipó e coberto por algodão, enfeitado com fitas de cetim.
Para você entender um pouco mais sobre o Sairé, destaco cinco momentos que considero imperdíveis:
1 – Busca dos Mastros
Uma semana antes da data oficial do Sairé (normalmente no penúltimo final de semana de setembro), no sábado, a programação começa com uma grande alvorada festiva. No barracão construído de madeira e palha na Praça do Sairé são cantadas ladainhas em homenagem à Santíssima Trindade e servido um café da manhã comunitário. Após esse momento, o símbolo da festa segue em um cortejo até a orla da vila, onde as catraias (canoas) já estão enfeitadas e um barco conduz os moradores e visitantes em uma belíssima procissão fluvial que segue pelo Lago Verde até uma área de floresta.
O objetivo é buscar dois troncos de árvores (previamente escolhidos) que serão levados para a Praia da Gurita ou Praia do Cajueiro, como é conhecida popularmente. Importante destacar que todo ano após a extração das duas árvores, pelo menos 10 novas mudas são plantadas na mesma área para não agredir o meio ambiente e conservar a floresta.
2 – Levantamento dos Mastros
O Sairé inicia oficialmente na manhã da quinta-feira com a abertura e procissão até a Praia da Gurita para buscar os mastros que aguardam desde o sábado para essa cerimônia. No retorno, na Praça do Sairé, são decorados com folhagens e frutas, e erguidos, permanecendo quarto dias em praça pública.
Esse levantamento dos mastros é realizado por dois grupos divididos entre homens e mulheres. Um dos momentos mais importantes da festa com a simbologia da fartura na comunidade.
3 – Procissão do Sairé
Neste mesmo dia acontece a primeira e principal procissão pelas ruas da vila balneária de Alter do Chão. A partir daí, personagens como a Capitão, Juiz, Juíza, os Mordomos, o grupo musical “Espanta Cão” e a Saraipora, que é responsável em conduzir o símbolo do Sairé, são acompanhados por foliões (rezadores) e rufadores (que tocam e cantam).
Nos dias seguintes acontecem ladainhas e rezas no Barracão do Sairé e apenas após este ritual a festa segue com seu lado folclórico.
4 – Festival dos Botos
Com muito carimbó, a parte profana da festa Sairé acontece no Lago dos Botos, a arena onde se apresentam as agremiações folclóricas Boto Tucuxi e Boto Cor de Rosa. A competição destaca uma das mais belas e tradicionais lendas da região amazônica, a lenda do Boto.
O festival teve início em 1997 e foi incorporado à programação como forma de abrilhantar ainda mais o evento. E você pode escolher para qual torcer e tudo. As arquibancadas são divididas, cada boto de um lado!
5 – Derrubada dos Mastros
O encerramento da festa do Sairé acontece na segunda-feira com a cerimônia de derrubada dos mastros. É um momento de reunir homens e mulheres para testar a força. Divididos em dois grupos os moradores e visitantes dão machadadas nos troncos, quem derruba primeiro é o vencedor. Uma competição animada que acaba em dança de carimbó!
Gostou?! Então venha conhecer essa festa e o nosso caribe brasileiro: Alter do Chão!