No litoral arenoso e mar agitado de Ajuruteua, vila no município de Bragança, no nordeste do Pará, descansa um dos capítulos mais intrigantes do nosso mar: os restos de um navio que virou lenda. Distante cerca de 1 km, durante a maré baixa, é possível ver o casco enferrujado e inclinado. É uma atração turística cercada por mistérios e teorias (cada um conta uma história)!

Esse gigante era uma embarcação do Lloyd Brasileiro, construída em 1882, época em que as grandes companhias de navegação conectavam portos europeus e latino-americanos às rotas do Atlântico. No dia 9 de maio de 1905, sob uma bruma espessa e com o barulho de ondas batendo como tambores distantes, o navio colidiu com o Anselm 2. A pancada foi brutal. O casco tremeu, as madeiras estalaram, mas o que mais marcou foi o silêncio que se seguiu. A capacidade era para 100 passageiros na 1ª classe e 100 nas 2ª e 3ª classes.
A carga valiosa de borracha, avaliada em 110 000 libras, foi salva, mas o navio não teve a mesma sorte. Sem conseguir retomar o comando da situação, acabou afundando parcialmente em um canal, deixando para trás apenas ecos de metal e histórias entre os pescadores e moradores. Quantas histórias!
Apelidado de “a barca”, os restos enferrujados do casco emergem e desaparecem com as marés de Ajuruteua, testemunhas silenciosas de um tempo em que mares tropicais eram palco de rotas perigosas, mercadorias valiosas e destinos incertos.
Com informações do Portal Amazônia



