Vocês conhecem o Colégio Rodrigues dos Santos, aqui em Santarém? Um dos mais tradicionais da cidade. Muita gente passou pelo ensino médio ali e carrega até hoje memórias daquele tempo. Mas o que quase ninguém lembra é que o prédio nasceu de uma iniciativa da antiga Associação Comercial do Baixo Amazonas (ACBA), que hoje é a nossa Associação Comercial e Empresarial de Santarém (ACES).
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Na Ata da Assembleia Geral da ACBA, de 2 de janeiro de 1948, foi aprovado, por unanimidade, o projeto da então “Escola Superior de Comércio”. A proposta era atender estudantes comerciários e filhos de comerciários com cursos voltados à área de contabilidade. Para ajudar a manter a escola, o Governo do Estado do Pará destinou uma verba anual de Cr$ 63.000,00. Além disso, a diretoria buscou apoio do Senac, que garantiu outra contribuição anual entre Cr$ 12.000,00 e Cr$ 24.000,00, conforme o número de alunos (inicialmente 60). Na mesma reunião, o nome do primeiro diretor foi indicado e aprovado, o Sr. Castelo Branco.

A escola foi implantada oficialmente em 16 de março de 1948, com o nome Escola Técnica de Comércio do Baixo Amazonas. Foi a primeira escola pública do gênero em Santarém, formando gente daqui e de cidades vizinhas e se tornando referência na região. Mas, ao mesmo tempo, a manutenção era cara e a Associação estava construindo sua sede. E isso pesou!
Em 1960, a Companhia Nacional de Educandários Gratuitos (CNEG) se dispôs a assumir a administração. A escola estava com salários de professores atrasados e já era difícil para a ACBA manter tudo. Depois de negociar com a diretora, professora Sofia Imbiriba, firmou-se um acordo: em fevereiro de 1961, a gestão passou para a CNEG, que se comprometeu a contribuir anualmente com Cr$ 60.000,00 por turma. A ACBA ficou responsável apenas por pequenas despesas de manutenção.
A partir daí, a escola passou a se chamar Escola do Comércio Antônio Joaquim Rodrigues dos Santos, em homenagem ao coronel da Guarda Nacional que era dono do terreno onde o educandário foi construído. A família oficializou a doação por meio de escritura pública feita à municipalidade. Anos depois, a propriedade do educandário foi transferida pela Associação Comercial de Santarém (ACS) para o Governo do Estado do Pará.
Um patrono profundamente ligado à história da educação em Santarém
No final da década de 1860, quando a nossa região ainda fazia parte da Província do Grão-Pará e Maranhão, o governo provincial começou a incentivar a criação de colégios particulares subsidiados com recursos públicos. Foi nesse contexto que nasceu o Colégio Nossa Senhora da Conceição. A direção passou por três nomes importantes: primeiro o Cônego Antônio Feliciano de Souza, depois o tenente-coronel Joaquim Rodrigues dos Santos, e por fim o professor Carlos Seidl.
O Colégio tinha tudo pra ser um modelo de educação em Santarém. Estrutura, gente preparada, propósito claro. Mas as disputas entre os partidos Conservador e Liberal, que dominavam a cena política da época, começaram a interferir diretamente no funcionamento da instituição. Somado a isso, os atrasos constantes no repasse das verbas públicas só dificultavam ainda mais o cotidiano. Resultado: o Colégio acabou fechando suas portas, e Santarém só veria novos rumos na educação pública com a criação do Grupo Escolar (atual Escola Frei Ambrósio), anos depois.
Curiosidade que amarra tudo: O tenente-coronel Joaquim Rodrigues dos Santos, que chegou a dirigir o Colégio Nossa Senha da Conceição, era pai de Antônio Joaquim Rodrigues dos Santos, o coronel da Guarda Nacional que deu nome à Escola do Comércio. E Antônio, por sua vez, foi pai de Waldomiro Rodrigues dos Santos, médico, duas vezes intendente de Santarém e que hoje dá nome à praça que antes era conhecida como Ocara-Açu.
Com informações da ata de Assembleia Geral da ACBA, de 2 de janeiro de 1948 e, do Blog do Padre Sidney Canto
